Thursday, September 24, 2009

Introdução à indústria petrolífera

Alguns elementos de base para entender a indústria petrolífera...

Exploração de petróleo
- upstream

Fases de exploração do petróleo
  1. Determinar probabilidades da zona ter petróleo
  2. Análise por sonar e determinar se existe alguma bacia onde é possível haver petróleo. No entanto estes testes não dão a certeza se há petróleo ou não
  3. É preciso fazer um furo para confirmar se efectivamente há petróleo ou não no local. Só assim se encontra efectivamente petróleo. São os chamados "wildcat wells"
As reservas podem assim ser divididas pela probabilidade de sucesso: P1, P2 etc, do mais provável ao menos provável.

Quando se fala da avaliação de empresas de exploração e produção de petróleo, fala-se de risking. Em função dos recursos apresentados pelas petrolíferas, os analistas financeiros determinam uma probabilidade dos recursos se traduzirem em receitas. Também se fala de reserve life ou seja as reservas a dividir pela produção.

Também se fala de F&D cost ou seja Finding and Development cost ou seja o custo por barril de encontrar e desenvolver o petróleo da reserva até ao ponto de produção. Estes custos têm vindo a aumentar e quando se fala de ir para certos campos offshore os custos são cada vez mais elevados.

Por exemplo no Brasil, existe uma grande diferença entre as várias bacias, quanto mais offshore e mais profundo mais difícil é de extrair o petróleo. Complexidade e profundidade são custos que só se justificam se o preço do petróleo continuar a ser alto.

Em termos de fase de vida de um campo de petróleo esta é semelhante a uma distribuição normal. A produção cresce, chega a um patamar e depois reduz até ao ponto em que não há reservas ou não é económico explorar o petróleo. Fala-se aqui de blow down model como um balão a esvaziar.

Uma complexidade do sistema está ligada à partilha do recurso. Embora a petrolífera esteja a produzir, não é dona de todo o recurso. O governo recebe uma percentagem do que sai do chão. Esta percentagem depende do preço do petróleo e do montante investido pela petrolífera, entre outros factores. Em muitos casos, antes de cobrar o royalty os governos deixam que a petrolífera recupere o seu investimento. Existem grandes variações de país para país. Fala-se portanto de working interest production e de entitlement production. Enquanto que working interest production é a produção total do campo, o entitlement production é aquilo que efectivamente chega à petrolífera depois de pagar ao governo.

Cada tipo de petróleo é diferente. O petróleo é qualificado como heavy ou light e sweet ou sour. O elemento heavy/light tem a ver com a densidade. O elemento sweet/sour tem a ver com o enxofre presente no petróleo. Quanto mais leve e doce o petróleo, mais valioso já que a produção é mais fácil.

Transporte
  • É mais difícil transportar gás do que petróleo
  • Em muitas zonas em África o gás saia com o petróleo e não era possível transportar pelo que se procedia ao flaring ou seja queimava-se o gás
  • Actualmente países como a Nigéria transportam o gás em estado gasoso e transformam-no em líquido (LPG)
Refinação e marketing - downstream

O petróleo na sua forma natural é praticamente inútil. As petrolíferas usam as refinarias para transformar o petróleo em produtos úteis.
  • Uma refinaria pode ser vista como uma fábrica com um puzzle lá dentro
  • Cada refinaria é composta por unidades que produzem produtos diferentes
  • Cada refinaria é diferente
  • Ao instalar diferentes unidades as petrolíferas tentam aproximar a produção do consumo
O termo nameplate capacity designa a capacidade de barris de crude por dia que a refinaria pode receber, ou que saem da refinaria.

Outra medida utilizada para analisar as refinarias é o índice de complexidade. Designa a flexibilidade para produzir produtos diferentes. Uma refinaria mais flexível é mais valiosa já que cria mais retornos e pode adaptar-se melhor ao mercado.

Em refinarias, a medida económica é a margem de refinaria, que é igual ao valor dos produtos que saem de um lado menos o valor do que entra do outro. Ou seja, que percentagem de gasolina, nafta ou kerosene. Cada produto e cada refinaria é influenciada pela oferta e procura de cada produto.

A parte final é o marketing. Todos os produtos que estão na bomba de gasolina vêm das refinarias e existe um esforço actualmente um esforço para aumentar a diferenciação dos produtos e trazer algum valor acrescentado. No entanto a parte do retalho é bastante simples.

O grande negócio das gasolineiras acaba por ser o retalho, onde as margens são mais atraentes.

Por outro lado, as grande refinarias vendem os seus produtos também directamente aos produtores de electricidade. Nomeadamente, o grande mercado do gás é o mercado de produção de electricidade. O mercado de gás está dependente do acesso aos pipelines e ao abastecimento. Este mercado é portanto regional.

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